Os Estados Unidos declararam sua independência da Grã-Bretanha em 1776. Poucos anos depois, em 1790, vieram a público os diários de John Winthrop, segundo governador da colônia da Baía de Massachusetts. Esses registros, escritos entre 1630 e 1649 e conhecidos como História da Nova Inglaterra, tornaram-se uma das principais fontes sobre o período colonial e chamaram atenção por descreverem um evento considerado extraordinário.
Entre os relatos, destaca-se um ocorrido em março de 1639, sobre o rio Muddy, na região de Boston. Naquela noite, James Avril, descrito como um homem equilibrado e confiável, navegava em um pequeno barco com dois companheiros quando observaram uma luz intensa no céu. Segundo a descrição, essa luz aumentou de brilho e depois assumiu uma forma incomum, que os observadores compararam à figura de um porco.
Winthrop registrou que o objeto se movia rapidamente, “como uma flecha”, deslocando-se para frente, para trás, para cima e para baixo durante cerca de três horas. O fenômeno chamou atenção não apenas pela aparência, mas também pelo comportamento, considerado impossível de explicar à luz do conhecimento do século XVII.
Ao final da observação, a luz desapareceu repentinamente. Nesse momento, os três homens perceberam que o barco havia retornado ao ponto inicial da viagem, apesar de terem permanecido à deriva durante todo o tempo. A ideia de que a embarcação se deslocou contra a corrente sem que percebessem tornou o relato ainda mais intrigante.
Na interpretação moderna, esse tipo de experiência costuma ser associado a fenômenos hoje chamados de abdução alienígena, nos quais testemunhas relatam distorções na percepção do tempo e do espaço. Por isso, alguns pesquisadores sugerem que o episódio do rio Muddy pode representar não apenas o primeiro avistamento aéreo registrado na América do Norte, mas também um dos primeiros relatos desse tipo de experiência.
A credibilidade do registro é reforçada pelo fato de Winthrop mencionar que outras pessoas também teriam visto a mesma luz naquela noite. Quando os diários foram publicados, no fim do século XVIII, o debate sobre a existência de vida fora da Terra já estava bastante intenso nos meios intelectuais.
Nesse contexto, figuras importantes da história americana, como Thomas Paine, passaram a defender abertamente a ideia da pluralidade dos mundos. Em sua obra The Age of Reason, publicada em 1793, Paine argumentou que o avanço da astronomia tornava razoável acreditar em vida extraterrestre, o que gerou forte reação religiosa e política.
Outros líderes, como Thomas Jefferson, John Adams e Benjamin Franklin, também demonstraram simpatia por essas ideias, defendendo uma visão mais racional da religião e do universo. Para eles, a existência de seres inteligentes em outros planetas parecia algo natural. Assim, os relatos antigos de luzes no céu e visitantes desconhecidos encontraram eco em um período histórico marcado pela transição entre a fé tradicional e o pensamento científico moderno.


