Em 6 de março de 2009, a agência espacial norte-americana lançou ao espaço um foguete do tipo Delta II transportando um novo telescópio orbital. O equipamento recebeu o nome de Kepler, em homenagem ao astrônomo alemão Johannes Kepler, conhecido por suas importantes contribuições ao estudo do movimento dos planetas. O telescópio foi projetado com a missão específica de localizar planetas semelhantes à Terra que orbitam estrelas fora do Sistema Solar.
A missão do telescópio Kepler concentra-se na observação de uma região específica da galáxia conhecida como Braço de Órion, localizada na Via Láctea. Durante aproximadamente três anos e meio, o equipamento foi programado para observar continuamente uma mesma área do céu. O objetivo principal dessa longa observação era responder a uma pergunta fundamental da astronomia moderna: se existem outros planetas semelhantes à Terra no universo.
Para identificar esses planetas, os cientistas utilizam um método baseado na análise da luz das estrelas. Quando um planeta passa diante de sua estrela, do ponto de vista da Terra, ocorre uma pequena diminuição no brilho observado. Esse fenômeno acontece porque o planeta bloqueia uma parte da luz estelar. Ao registrar repetidamente essas variações de luminosidade, os pesquisadores conseguem identificar a presença de planetas em órbita ao redor de estrelas distantes.
Após a identificação de um possível planeta, os cientistas passam a investigar suas características para avaliar se ele poderia abrigar vida. Um dos principais fatores analisados é a presença de água em estado líquido, considerada essencial para a vida como é conhecida na Terra. Dessa forma, a busca por água tornou-se uma das estratégias centrais na procura por ambientes habitáveis em outros locais do universo.
A existência de vida na Terra demonstra que os organismos podem sobreviver em condições extremamente variadas. Alguns microrganismos vivem em ambientes de altas temperaturas nas profundezas dos oceanos, enquanto outros conseguem sobreviver em locais com intensa radiação ou em ambientes químicos hostis. Apesar dessa diversidade de condições, a presença de água líquida continua sendo considerada um elemento fundamental para a existência da vida.
Para investigar se planetas distantes possuem condições favoráveis à vida, os cientistas analisam a composição de suas atmosferas por meio da luz emitida ou refletida por esses corpos celestes. Essa luz é dividida em um espectro semelhante a um arco-íris. No espectro, determinadas linhas escuras indicam a absorção de luz por gases presentes na atmosfera do planeta, permitindo identificar substâncias como oxigênio, metano ou vapor d’água.
Essas substâncias são importantes porque podem atuar como indicadores biológicos, conhecidos como biomarcadores. Alguns gases, como o metano, podem ser produzidos por organismos vivos. Por esse motivo, pesquisadores também estudam ambientes naturais da Terra que abrigam microrganismos antigos, como os chamados tapetes microbianos, a fim de compreender melhor como a atividade biológica pode alterar a composição da atmosfera de um planeta.
Além dessas análises, a busca por vida também considera a chamada zona habitável de uma estrela. Essa região corresponde à distância em que a temperatura de um planeta não é excessivamente quente nem fria, permitindo a existência de água líquida. Embora ainda não tenham sido confirmados planetas exatamente iguais à Terra nessa região, os avanços tecnológicos e novas missões espaciais indicam que a descoberta de mundos potencialmente habitáveis pode ocorrer no futuro próximo.
