Desde os tempos mais remotos, diferentes povos ao redor do mundo relatam a presença de seres celestiais que desceram dos céus. Essas narrativas, registradas em mitos e tradições religiosas, sugerem que os deuses antigos poderiam ter vindo do espaço, trazendo conhecimento e sabedoria à humanidade. O questionamento central é se esses relatos são apenas símbolos espirituais ou se indicam eventos reais de contato com civilizações extraterrestres.
Os povos antigos eram inteligentes, mas possuíam um contexto tecnológico e linguístico muito diferente do atual. Ao presenciarem fenômenos incomuns, eles os descreveram com o vocabulário e as referências de seu tempo. Um objeto luminoso no céu, por exemplo, podia ser interpretado como um “carro de fogo” ou um “dragão voador”. Dessa forma, o que hoje poderia ser entendido como uma nave espacial, nas tradições antigas foi representado por símbolos mitológicos.
Na China antiga, por exemplo, existem lendas semelhantes às encontradas no Egito, entre os Dogons da África e os povos indígenas da América. A mitologia chinesa, que remonta a cerca de 3000 antes de Cristo, conta que o deus Wang Ji nasceu sob a luz de uma grande estrela e emergiu da barriga de um dragão de fogo. Tornou-se então o primeiro imperador da China, conhecido como o Imperador Amarelo, que unificou o povo, promoveu a prosperidade e criou importantes invenções, como a bússola, a escrita padronizada e a acupuntura.
Quando sua missão foi cumprida, o imperador teria retornado aos céus, entrando novamente no corpo do dragão. Alguns estudiosos interpretam esse “dragão” como uma metáfora para uma máquina voadora, comparando suas descrições a foguetes modernos que liberam fogo e fumaça. Essa visão sugere que o mito do dragão poderia representar um veículo tecnológico não compreendido pelos antigos, traduzido poeticamente como uma criatura mística.
A milhares de quilômetros dali, na antiga Mesopotâmia, encontra-se uma tradição semelhante. O poema Enuma Elish, de origem babilônica, descreve a criação dos primeiros humanos por uma raça celestial chamada Anunnaki, termo que significa “aqueles que vieram dos céus”. Textos sumérios descrevem esses seres como viajantes que desceram à Terra em veículos voadores. Esculturas e relevos mostram figuras humanoides com capacetes, flutuando sobre os homens.
De acordo com a chamada hipótese dos antigos astronautas, os Anunnaki seriam viajantes espaciais que visitaram a Terra na Antiguidade, influenciando o surgimento das primeiras civilizações humanas. Ideias semelhantes também aparecem nas mitologias grega e romana, nas quais deuses poderosos, como Zeus, viviam nos céus e desciam à Terra para interagir com os mortais. Esses deuses eram descritos como portadores de ciência e cultura, mas também com características humanas, como paixões, desejos e relacionamentos com mulheres da Terra.
Da união entre deuses e humanos nasceriam os semideuses, figuras como Hércules e Helena de Troia, que possuíam força, beleza e inteligência acima do comum. Para alguns teóricos, isso indicaria a criação de uma “raça híbrida”, resultado do cruzamento entre humanos e seres vindos dos céus. Segundo essa interpretação, os deuses da Antiguidade seriam seres extraterrestres de carne e osso, mal compreendidos pelos povos antigos.
Relatos semelhantes aparecem em textos religiosos. A Bíblia, por exemplo, descreve no Gênesis a criação de Adão e Eva por Deus, mas também contém passagens que mencionam anjos ou mensageiros que desceram dos céus e mantiveram relações com humanos, gerando gigantes, como o lendário Golias. Alguns pesquisadores veem nesses relatos uma descrição simbólica de interações entre seres humanos e visitantes de outro mundo.
O texto bíblico também apresenta enigmas linguísticos. Em “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, o uso do plural “nossa” levanta questionamentos. Enquanto teólogos interpretam essa forma como uma referência à Santíssima Trindade, outros sugerem que poderia indicar a existência de vários deuses, o que se encaixaria na hipótese de visitas de entidades celestes.
A semelhança entre as histórias de criação, presentes na Bíblia, no Alcorão, nos mitos sumérios, gregos e chineses, chama a atenção. Quase todas relatam seres que descem do céu, criam o homem e ensinam a civilização. Esses paralelos levantam a possibilidade de que a humanidade tenha tido contato com inteligências não humanas em seu passado remoto.
Para os defensores da teoria dos antigos astronautas, as evidências culturais e arqueológicas apontam para uma mesma origem: a influência de visitantes extraterrestres que teriam inspirado a fé, a ciência e o progresso humano. Já os céticos consideram tais lendas apenas como expressões simbólicas da espiritualidade e da imaginação humana.
A presença recorrente de deuses celestiais nas mitologias de todo o mundo continua a despertar fascínio e debate. A questão permanece aberta: seriam essas narrativas apenas metáforas espirituais, ou registros codificados de encontros entre a humanidade e seres vindos das estrelas?


