Em 18 de março de 1965, o cosmonauta russo Alexei Leonov tornou-se o primeiro ser humano a caminhar no espaço. Durante 12 minutos e 8 segundos, ele ficou fora de sua nave, a Voskhod 2, dependendo inteiramente de seu traje espacial para sobreviver em um ambiente sem ar e sem pressão atmosférica. Essa experiência levanta uma questão curiosa: se os seres humanos precisam de trajes para viver no espaço, será que seres extraterrestres, ao visitarem a Terra, também precisariam de algum tipo de proteção? Essa hipótese é usada por alguns estudiosos para explicar representações antigas de figuras com trajes semelhantes aos de astronautas modernos.
Críticos muitas vezes questionam por que os supostos “astronautas antigos” seriam retratados com roupas tão parecidas com as atuais. A resposta mais comum é que, assim como os humanos, eles também precisariam de proteção caso não fossem capazes de respirar o ar da Terra. Assim, não seria ilógico imaginar que usassem trajes espaciais. A semelhança entre essas imagens antigas e os astronautas modernos alimenta a teoria de que os visitantes poderiam vir de um planeta com condições semelhantes às da Terra.
No início do século XX, cientistas ingleses e alemães retomaram uma antiga ideia dos filósofos gregos: a de que toda a vida do universo teve origem em um único ponto. Essa teoria é chamada de panspermia, e propõe que a vida surgiu em um lugar e depois se espalhou por diferentes planetas. No espaço, há moléculas que formam os blocos básicos da vida, e essas partículas poderiam viajar por meio de meteoros ou cometas, alcançando planetas distantes.
Marte é um dos candidatos mais prováveis para ter abrigado vida antes da Terra. Há bilhões de anos, o planeta vermelho possuía clima quente e úmido, semelhante ao da Terra. Como Marte esfriou mais rápido, a vida poderia ter surgido lá primeiro e sido trazida até aqui por fragmentos rochosos lançados por impactos de asteroides. Em 1996, cientistas anunciaram a descoberta de um meteorito marciano na Antártica, que continha sinais de vida fossilizada de 3,6 bilhões de anos.
Esse achado reforçou a ideia de que a vida poderia ter se espalhado de Marte para a Terra, tornando a teoria da panspermia amplamente aceita entre os astrobiólogos. Segundo eles, é possível que a vida terrestre tenha se originado fora do planeta, vinda do espaço. Essa hipótese dialoga com crenças antigas que afirmam que a humanidade tem origem nas estrelas, algo presente nas mitologias egípcia, maia, asteca e indígena.
Do ponto de vista científico, essa ideia não é totalmente improvável. Afinal, é um fato comprovado que os elementos químicos essenciais à vida, como carbono, oxigênio e nitrogênio, foram formados no interior das estrelas. Assim, de certo modo, a vida na Terra realmente veio delas. Contudo, permanece a dúvida: essa chegada de vida ao nosso planeta foi um acidente natural ou um ato intencional de outra civilização?
O geneticista britânico Francis Crick, um dos descobridores da estrutura do DNA, acreditava que a vida na Terra poderia ter sido semeada de propósito. Sua teoria, chamada panspermia dirigida, propõe que uma civilização inteligente e avançada, ao perceber que seu planeta estava prestes a ser destruído, teria enviado microorganismos ou formas de vida em direção a outros mundos, como uma forma de preservar sua espécie.
Se essa hipótese for verdadeira, os seres humanos seriam descendentes de uma raça alienígena. Nesse caso, a vida na Terra não teria se originado aqui, mas teria sido trazida do espaço, transformando o planeta em uma colônia cósmica. Isso explicaria, segundo alguns teóricos, a semelhança entre os humanos e os “alienígenas” frequentemente descritos nas lendas antigas.
Embora essa ideia pareça ousada, ela não é necessariamente anticientífica. O universo é vasto, e a presença de vida em outros planetas é uma possibilidade cada vez mais aceita pela comunidade científica. Se a vida realmente veio das estrelas, a humanidade pode ser o resultado direto de uma linhagem extraterrestre, o elo perdido entre a biologia terrestre e a inteligência cósmica.


