Para os defensores da ideia de que contatos com seres extraterrestres influenciaram a história da humanidade, esse fenômeno não se limitaria à Antiguidade. Segundo essa perspectiva, relatos de aparições estranhas, objetos voadores e criaturas incomuns também estariam presentes ao longo da Idade Média, registrados em crônicas, documentos históricos e obras de arte de diferentes regiões do mundo.
Cronistas medievais relataram fenômenos luminosos nos céus da Europa e do Oriente Médio, especialmente durante períodos de conflito, como as Cruzadas. Há descrições de nuvens brilhantes, muitas vezes avermelhadas, das quais pareciam emergir objetos estranhos. Para alguns teóricos, essas narrativas se assemelham a relatos modernos de OVNIs, frequentemente descritos como envoltos por uma espécie de névoa ou campo luminoso.
Um dos relatos mais citados está na obra Ótia Imperiália, do século XIII, escrita por Gervásio de Tilbury. Nela, o autor descreve uma aeronave que teria sobrevoado a cidade de Bristol, na Inglaterra, prendendo uma âncora à torre de uma igreja. Um ser humanoide teria emergido do objeto, causando pânico entre os moradores, que o atacaram por acreditarem tratar-se de uma entidade demoníaca.
Além dos textos, defensores dessas teorias apontam para a arte medieval como possível evidência visual. Diversas pinturas religiosas apresentam objetos incomuns no céu, muitas vezes associados a cenas bíblicas importantes, como a crucificação de Jesus ou a anunciação à Virgem Maria. Esses elementos aparecem flutuando entre nuvens, com formatos que lembram discos ou cápsulas, interpretados por alguns como representações de veículos aéreos desconhecidos.
Em obras como A Anunciação, de Carlo Crivelli, datada de 1486, um feixe luminoso parte de um objeto suspenso no céu em direção a Maria. Para teólogos, trata-se de uma representação simbólica da presença divina. Já os teóricos dos antigos astronautas sugerem que o artista poderia estar retratando algo observado ou transmitindo uma tradição oral relacionada a fenômenos celestes reais.
Essas interpretações também se estendem a episódios históricos marcantes, como a Peste Negra do século XIV. O autor William Bramley propôs que relatos da época sobre luzes no céu, névoas tóxicas e objetos voadores em forma de cilindro poderiam estar relacionados à disseminação da doença. Embora a ciência atribua a peste a bactérias transmitidas por pulgas e roedores, alguns cronistas medievais descrevem a sensação de “ver” a praga avançando como uma neblina mortal.
Outro elemento recorrente nos registros históricos é a figura de criaturas encapuzadas portando objetos semelhantes a foices, surgindo pouco antes do início das epidemias. Essas descrições teriam dado origem à imagem simbólica do Anjo da Morte. Para alguns pesquisadores alternativos, tais figuras poderiam representar entidades associadas a tecnologias desconhecidas, enquanto para a historiografia tradicional são manifestações do medo coletivo e da linguagem simbólica da época.
Apesar das divergências, esses relatos reforçam uma ideia central para os defensores da teoria dos antigos astronautas: a de que fenômenos estranhos e encontros inexplicáveis teriam ocorrido ao longo de toda a história humana, da pré-história à era moderna. Para eles, essas narrativas sugerem uma continuidade de eventos que ainda desafiam explicações definitivas e alimentam o debate sobre a verdadeira origem de tais fenômenos.


